quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Quem é o aluno da Escola Dominical?

            O aluno da Escola Dominical é aquele que teria muitas coisas para fazer em um Domingo maravilhoso, tais como: passear, ir ao clube, ir ao parque com as crianças, fazer um churrasco com os amigos e a família, resolver problemas pendentes, fazer compras, organizar a casa e uma infinidade de outras coisas que em função do trabalho que executa no decorrer da semana muitas vezes o tempo não permite fazer.

            Entretanto, diante de tantas ocupações de natureza divertida ou de necessidade, o aluno da EBD prioriza a frequência e a participação na escola e torna este momento muito rico tanto para o próprio crescimento espiritual como também para estar entre a comunidade cristã.

            Podemos encontrar várias categorias de alunos da Escola Dominical: os frequentes; os não-frequentes ou casuais; e os visitantes que podem ser membros ou não-evangélicos. Pode haver outras categorias, mas estas são as mais comuns que encontramos em nossos templos.

            Entre os alunos frequentes, podemos subdividí-los em: muito frequentes ou menos frequentes, mas que não chegam a ter o seu nome entre os excluídos por excesso de faltas. Entre os não-frequentes ou casuais há aqueles que estão sempre no limite das faltas e há também aqueles que dependem de um telefonema, uma carta ou um e-mail para retornarem à escola.

            Entre os visitantes membros da igreja, podemos encontrar aqueles que comparecem trimestralmente à escola se matriculam, mas de repente desaparecem, mesmo sendo lembrados ou durante os cultos pelo pastor ou pelos professores da classe. Há ainda visitantes não-crentes, embora seja raridade encontrarmos essa categoria matriculada nas classes da EBD. É mais comum encontrarmos alunos dessa natureza nas classes infantis, juniores, juvenis ou jovens. Geralmente esses alunos são convidados, amigos vizinhos ou parentes de pessoas evangélicas.

            Para a última categoria elencada, a Escola Dominical representa um importante meio para influenciar as pessoas a conhecerem a Cristo. Interessante notar que as pessoas que se convertem a Cristo através da EBD têm um diferencial: elas já nascem no ensinamento cristão e certamente a EBD marcará a vida destas pessoas. Independente de qual seja a categoria, algo é certo: todos podem ser alunos frequentes da Escola Dominical.

            A frequência de um aluno indica que algo o impele a participar da escola e pode ser por vários motivos: pela qualidade das aulas, pelo fato de estar entre os irmãos dialogando e estudando temas de alto valor e crescimento espiritual e pelo compromisso de participar dos trabalhos da igreja.

            Ser frequente à escola não é somente participar e estar a par do que está sendo estudado nela. É, antes de tudo, estar presente de corpo e alma. Quando me refiro a estar presente de corpo, trata-se do aluno que não falta à EBD e que cuida para não perder as aulas. Estar presente de alma é se envolver com o tema, ler, pesquisar, acompanhar as passagens bíblicas, tomar notas e contribuir para o enriquecimento da aula.

            Entre os alunos frequentes há alunos participativos e ouvintes. Tanto em um como no outro depende da natureza individual de cada um. Há alunos os quais a participação apenas se dá mediante um espaço de interlocução do professor. E aqui, cabem parênteses. Costumo dizer que todo aluno tem identidade e é muito bom quando o professor conhece-o e trata-o pelo nome. Embora pareça para alguns que seja uma participação forçada e direta, afirmo como professora que depende de como o professor dirige o questionamento e aborda o aluno.

            Saber fazer o questionamento é crucial para a interlocução. Perguntas fechadas, por exemplo, intimidam o aluno. Perguntas cujas respostam sejam exatas é como pressionar o aluno contra a parede. Se errar, o aluno tímido, por exemplo, sentirá envergonhado e evitará responder da próxima vez. Perguntas bem formuladas geram contribuições inteligentes. Vou dar alguns exemplos para esclarecer, caso tenha ficado dúvidas ao meu amado leitor.

            Exemplo 1 - O tema da aula trata-se dos dons espirituais. Ao invés de solicitar que o aluno cite quais os dons, pode-se perguntar de que forma os dons contribuem para o crescimento espiritual da igreja.

            Exemplo 2 – Ao invés de perguntar ao aluno onde está escrito que Jesus se irou, pode-se perguntar da seguinte forma: você se recorda de alguma situação em que Jesus ou Deus tenham irado?

            O modo como é feita a pergunta leva o aluno a dialogar e não simplesmente responder o que o professor propõe. Algumas possíveis situações também fazer com que o professor evite uma aula dialogada. Caso o professor fique preocupado com aqueles irmãos que têm muitas experiências para contar e que se esquecem do tempo curto que temos na escola eu sugiro que sejam feitas recomendações antes de iniciar a aula. Lembrando que todo o professor da EBD deve desenvolver formas afetivas de falar com o aluno. A forma como você fala ao invés de somar pode ter efeito contrário e então você terá menos um aluno na classe.  

            Minha experiência como professora secular contribuiu muito para o exercício da docência na EBD. Na escola nossos alunos do ensino regular sempre começam a aula nos falando coisas que viram e onde estiveram, situações que viveram com suas famílias, e até ficam eufóricos para contarem o que está fervilhando na cabecinha deles. É muito importante para eles, contarem para os colegas as aventuras que viveram. Agora, imagine você que os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) que são os documentos norteadores da Educação brasileira, definem o mínimo de quatro horas e vinte minutos de aula, lembrando que desse tempo, 20 minutos estão reservados ao intervalo para recreação e lanche. Em uma classe de 20 alunos todos com grandes e longas histórias, o professor precisa ter um jeitinho delicado para não tornar desinteressante a vida e a experiência dos alunos e encontrar a forma de conectar ao assunto da aula. O conteúdo a ser explorado no dia tem um tempo presumido, tem tarefas do dia anterior para corrigir em sala, tem tarefa a ser feita na sala e tem orientação da tarefa de casa, tem dinâmica, enfim, e todos precisam ser ouvidos. Então geralmente fazermos uma pergunta que os levem a dizer o que fizeram e descreverem em poucas palavras a sensação causada. Depois ainda temos que fazer o link com a aula, isso não é tarefa fácil, mas sempre encontramos uma forma.
          Na EBD é diferente, tanto em relação ao tempo, que é menor, como em relação à rotina e atividades que são desenvolvidas nesse espaço de tempo. Por isso, antes de iniciar a aula o professor deve explicar aos alunos a limitação do tempo, os objetivos previstos, o que gostaria que eles compreendessem ao final da aula e os subitens que serão estudados. Nisso, a contribuição em relação ao tempo de participação de cada um é essencial. O quanto for possível sintetizar, o tempo agradece e o professor também.
 

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