sábado, 29 de março de 2014
História da Igreja: percurso e desafios
Encerramos o primeiro trimestre da Escola Dominical. A Revista da classe Juvenis trouxe a História da Igreja e foi sobre ela que nos debruçamos durante esses noventa dias.
Por que é importante conhecermos a História da Igreja? Primeiro, porque todo cristão deve buscar entender as origens e saber em quais bases ela está fundamentada. Segundo, porque só podemos intervir quando conhecemos a história e, a partir desse conhecimento podemos entender melhor os caminhos que a Igreja foi tomando e quais caminhos ela trilhou e continua a trilhar. Além disso, todo esse conhecimento pode nos ajudar a evitar possíveis erros a partir dos fatos mostrados pela história.
Tudo nessa vida tem uma história, nós temos a nossa; os fenômenos têm seu marco, seu processo e evolução; os movimentos, os eventos; tudo enfim tem seu nascedouro, sua constituição, desenvolvimento, apogeu e ou declínio. É importante para nós termos ciência do surgimento da Igreja.
A Igreja é neotestamentária. Ela surge com a descida do Espírito Santo quando os discípulos aguardavam o cumprimento da promessa no Cenáculo. A partir do Pentecostes, a tarefa do ensino e da divulgação do Evangelho começa a ganhar um sentido diferente, tendo em vista que a presença física de Cristo já não estava entre seus seguidores. Era preciso proclamar a mensagem da fé. Uma fé que ultrapassava a dimensão do “ver”, era preciso chegar aos bem-aventurados, “aqueles que não O viram, mas creram”.
Jerusalém se constituiu o epicentro da igreja primitiva. Seus primeiros membros foram os judeus hebreus (verdadeiros israelitas), helenistas (descendentes de judeus dispersos durante a primeira destruição de Jerusalém a.C) e prosélitos (não-judeus que aceitavam viver de acordo com o judaísmo). O modo de vida daquela Igreja se sustentava na comunhão, no poder de Deus, na simplicidade, no amor, no temor, nas orações e na unidade doutrinária. Segundo Atos 2, 47, dessa forma, a Igreja caiu na graça do povo.
Coube à Igreja Primitiva instituir a Grande Comissão para levar avante o projeto missionário que começou por Jerusalém, seguiu por Samaria, Judéia e aos confins da terra. Mas o envolvimento com o “Ide” de Marcos 16,15, somente foi possível porque aquela igreja tinha em seu coração um grande ardor e zelo missionário.
As perseguições que sobrevieram nos anos seguintes os quais levaram ao martírio muitos cristãos primitivos não foram capazes de submergir a obra instituída no Calvário. A igreja tem um preço, por sinal, muitíssimo caro. Foi comprada com o sangue de Cristo e também custou a vida daqueles que se empenharam em pregar a mensagem da verdade, sim porque é de Cristo a afirmativa: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Portanto Ele é a verdade. Não há filosofia, até porque filosofias são ideias, ideias todos nós temos. Mas, a Escritura Sagrada não é uma ideia, antes, é uma verdade absoluta.
O Império Romano com todo o seu poderio tentou por um fim ao Cristianismo iniciando uma perseguição contumaz e sórdida. As motivações para a tirania eram as mais diversas e carregadas de tamanha injustiça contra os fiéis. A verdade é que o Cristianismo punha em risco toda a ação da igreja romana sustentada na venda de indulgências, no comércio de ídolos, na adoração ao imperador.
Os cristãos eram revolucionários, pregavam a verdade sem se importar com o risco que corriam. Em que pese os horrores cometidos pelos cruéis: Nero (66 a 68 d.C); Domiciano (90 a 95 d.C); Trajano e Antonino Pio (98 a 161 d.C); Marco Aurélio ( 161 a 180 d.C); Décio (249 a 251 d.C) Valeriano (257 d.C) Diocleciano (303 a 305 d.C); Galério e Constâncio (305 a 311 d.C), responsáveis pela morte de milhares de cristãos, ainda assim, ninguém jamais conseguiu e nem conseguirá estancar o crescimento da Igreja. As perseguições somente fizeram cumprir a frase de Tertuliano “O sangue dos mártires e a semente dos cristãos”.
Os grandes apologistas da fé surgidos em meio à perseguição se tornaram o espelho para o qual devemos sempre nos reportar para confrontarmos com os nossos limites. Afinal há muita gente negando a Cristo por tão pouca coisa. Estar a postos sempre prontos para defender a razão da nossa fé é a principal missão do Cristão. Não há o que temer, pois estamos diante da mensagem mais poderosa do mundo, capaz de quebrar os maiores grilhões. Pois que tememos nós? “Se Deus é por nós, quem será contra nós? (Rom. 8,31).
Os desafios da Igreja Primitiva não se limitaram às perseguições do clero romano, houve muitos entre nós que se desviaram e se propuseram a ensinar heresias e contaminar com falsas doutrinas. Aos apóstolos cumpriu a atribuição em refutar visto que contrariavam o evangelho genuíno.
Contudo, a Igreja continuou seu percurso. Ao longo da história Deus levantou homens valentes que enfrentaram tanto os ataques à doutrina Bíblica com suas seitas infundadas, como também a fúria de Roma e lutaram ardentemente para trazer à tona a verdadeira doutrina Cristocêntrica.
Em nossos dias, o cenário não parece alterar. Constantemente surgem movimentos ideológicos que pregam evangelhos diversos para todos os tipos e ocasiões. Há evangelhos para todos os gostos. Entretanto, o evangelho verdadeiro, esse, poucos querem segui-lo. É mais prático criar o próprio e adequá-lo às conveniências pessoais. O Apóstolo Paulo recomendou-nos para que estivéssemos atentos quanto e esses tais que viriam em tempos futuros confrontar com os ensinamentos verdadeiros e propor evangelhos ocasionais, como descreve em II Tm. 4,3-4: “Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências”.
Resta-nos mantermos fiéis à doutrina cristã e à essência do verdadeiro evangelho do reino. A Bíblia nos é clara ao afirmar que o evangelho será pregado por inveja, porfia, mas há os que ensinarão de boa vontade. Sejamos e estejamos, pois inclusos entre os de boa vontade para continuarmos a proclamar a verdade da Escrita Sagrada e manter viva a Igreja do Senhor Jesus, esta Igreja que foi comprada com o preço do sangue. Embora, o mundo queira desafiar-nos a todo instante, mantenhamos também vivas e imbatíveis nossas convicções sendo verdadeiros apologistas da fé para o bom crescimento da obra de Cristo.
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